Muro das Lamentações em Israel. Oração de um israelita solitário pelos milhares de pedidos que se colocam neste muro.
Muro das Lamentações, Israel. Um israelita solitário ora pelos milhares de pedidos depositados entre as fendas deste muro sagrado.
"Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão." (Lucas 19:40)
E de fato, não é de hoje que as pedras clamam. Elas ecoam o grito sufocado de uma igreja silente diante do modernismo, da perda de reverência na liturgia, das palavras ocas que ressoam de alguns púpitos e da teologia reformada — não pelo Evangelho, mas pelo progressismo e seu criticismo frio. As pedras clamam porque são poucas as vozes que ainda proclamam a verdade bíblica tal como ela é: simples, crua, nua, destituída de floreios retóricos e de marketing eclesiástico. Em muitas igrejas, princípios bíblicos foram reduzidos a campanhas intermináveis, fogueiras santas e vendas de promessas que nos foram garantidas gratuitamente pelas Escrituras.
É triste ver a igreja esfacelando-se sob as batidas vulgares e profanas que se apoderaram das avenidas de nossas cidades. Lamentável é assistir sua história ruindo sob o peso de alguns proeminentes títulos acadêmicos, que se tornaram bandeira de suposta santidade e, ao mesmo tempo, capa para esconder pecados inconfessos. Se esses mesmos homens, despidos de suas honrarias intelectuais, se rendessem à simplicidade da Palavra, talvez entendessem o que os iletrados compreendem com corações puros.
Lágrimas correm por minha face, mas um sorriso invade minha alma. Vejo no caos o cumprimento da Palavra de Deus. Até a própria igreja torna-se testemunha de sua infidelidade, tragicamente repetindo a história de Pilatos, lavando as mãos diante do Cristo.
Caminhamos para dias em que templos não serão mais instituições reconhecíveis. Os edifícios chamados de igreja se tornarão vestígios de uma era passada. Os remanescentes fiéis à Sola Scriptura sairão de seus santuários luxuosos para se reunirem em casas, como nos dias da igreja primitiva. A igreja de hoje? A verdadeira igreja estará nos lares. Oro para que esse dia não me alcance, pois ainda prezo pelo ajuntamento solene dos santos. Ainda amo a igreja. Ainda acredito na reunião reverente diante do Senhor Jesus. Mas, ao que tudo indica, esse desejo é um sonho que, dia a dia, se transforma em pesadelo.
Onde estão os pastores que antes gastavam tempo visitando as ovelhas do Senhor? Hoje, preferem o conforto de seus lares e a segurança de seus gabinetes, que se tornaram redutos políticos e centros de negociação de interesses escusos. O ministério pastoral converteu-se num ofício administrativo, onde relatórios mensais substituíram a preocupação genuína com as viúvas, os desempregados, os necessitados e os enfermos. O pastoreio, antes exercido com zelo e dedicação, tornou-se um cargo burocrático de desencargo de consciência.
A igreja inchou, enriqueceu e perdeu-se miseravelmente. Mas inchaço não é crescimento; é doença. Que o Deus de compaixão e misericórdia fortaleça os seus filhos fiéis, que, diante desse cenário, vagam frustrados de igreja em igreja. Alguns são condenados por seus pecados sem redenção, outros simplesmente ignorados como seres humanos. Mas o Cristo da mulher adúltera, o Cristo da samaritana, o Cristo dos rejeitados e incompreendidos ainda olha para Seus rebentos, abraça-os, ama-os e Se revela como o Verdadeiro Pastor.
Aquele que nunca abandona. Aquele que nunca se cansa de nós. Aquele que nunca aponta o dedo para condenar, mas estende as mãos balsâmicas para nos levantar. E como se não bastasse, ainda nos chama de Filhinhos Amados.
Capelão Nascente 🙏
International Voluntary Chaplancy Service - IVCS
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