Ódio Consumado!
Temos sido testemunhas, nos últimos anos, do crescimento gradativo do ódio que aflora no coração humano. Caso os divãs dos consultórios psicológicos não emitam o alerta, inevitavelmente será o uso indiscriminado de psicotrópicos, substâncias psicodélicas ou ansiolíticos — como os benzodiazepínicos (entre eles, lorazepam e diazepam) e inibidores de receptação (a exemplo da fluoxetina) — que o fará, pois seu consumo se multiplica diante da inquietude e angústia crescentes. No entanto, há algo ainda mais antigo e contundente por trás dessa realidade: Jesus Cristo já nos prevenira de que, nos últimos dias, “o amor de muitos se esfriará” (Mateus 24:12).
Nesse mundo caído e corrompido, o ser humano vive tentando remediar os efeitos de sua própria degeneração. Não bastasse a necessidade de higienizar o corpo para evitar mau cheiro, fazer atividades físicas para impedir a atrofia dos músculos e buscar alimento para não perecer, também fomos tomados por uma condição espiritual deteriorada desde a queda de Adão, no Jardim do Éden. Parece que, a todo instante, temos de nos “perfumar” para mascarar o odor que emana de nosso coração, onde jazem a morte e o sepulcro da maldade. A esse respeito, Jesus enfatiza: “O que sai do ser humano é o que o torna impuro; pois é de dentro do coração dos homens que procedem os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os furtos, os homicídios, os adultérios, as ambições desmedidas, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a difamação, a arrogância e a insensatez. Todos esses males procedem do interior, contaminam a pessoa humana e a tornam impura” (Marcos 7:20-23). Não por acaso, até mesmo as nossas melhores ações, perante Deus, parecem como “trapos de imundícia” (Isaías 64:6).
Ainda assim, Deus não desistiu de nós. Na plenitude dos tempos, Ele enviou Seu único Filho, Jesus Cristo, para como cordeiro mudo padecer o sacrifício na cruz do Calvário, libertando-nos da culpa original — herdada do primeiro homem, Adão. Pelo sangue de Jesus derramado, fomos sarados, conforme anteviu o profeta Isaías (capítulo 53). Desse modo, o ser humano não está completamente perdido neste mundo envolto em trevas e desamor. Pelo ato supremo de entregar Seu próprio Filho para pagar nossas faltas, Deus demonstra o mais perfeito amor que um Pai pode oferecer a filhos extraviados. É o mesmo Deus que se apresenta como Luz do mundo, Pão da Vida, Água Viva e Caminho — pois Dele também se diz: “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que N’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Por isso, podemos afirmar: Deus é amor!
Entretanto, como em todo campo há trigo e joio, se alguns, ainda que em queda e degeneração, são transformados pelas Boas Novas de Jesus de Nazaré, há outros que, por mais adubo ou água que recebam, permanecerão joio. A esses, cabe odiar. Encontram sentido apenas em expor o que os transborda por dentro: o ódio consumado, que se serve de qualquer pretexto — cor de pele, condição social, origem geográfica, orientação sexual ou dependência química — para perpetuar a rejeição. Neles, o ódio é a razão e o fim em si mesmo.
A preocupação, porém, não se volta ao joio, mas ao trigo. É sobre nós — aqueles que um dia receberam e vivenciaram o amor — que repousa a advertência: “o amor de muitos se esfriará.” Fala-se de cristãos, de filhos de Deus, cujo fervor pode ser minado pelas aflições deste século: medo, pânico, instabilidade econômica, crise ambiental, guerras, doenças e pandemias. Tais forças podem desidratar as sementes de Cristo lançadas no mundo, impedindo-as de brotar e frutificar a trinta, sessenta ou cem por um. Não permitamos que o amor plantado por Deus em nossos corações se apague!
Talvez seja necessário nadar contra a correnteza, a exemplo dos salmões na piracema, que sobem o rio bravamente para desovar e perpetuar sua espécie. Se a semente morrer antes de germinar, de que adiantaria tanto cuidado? Nós, cristãos — sementes, cordeiros no aprisco de Deus, luz do mundo e sal da terra —, ainda que o amor em muitos se esfrie, jamais deixaremos que ele morra. Afinal, como ensina o apóstolo: “O amor jamais acaba” (1 Coríntios 13:8). E Deus, no tempo devido, levantará Sua Igreja, honrada e imaculada, para exaltar Seu nome acima de todas as nações. Receberemos, então, das Suas próprias mãos, a entrada na Cidade Santa, nossa morada eterna. Amém!




