'Res, non verba'_ Fatos, não palavras.
Neste espaço, não cultivamos discursos ocasos nem devaneios inúteis — aqui, cada palavra se ancora em fatos, sólidos e inegociáveis.

Translate - Traduza para seu Idioma.

PENSAMENTO DO DIA




PENSAMENTO DO DIA

"Se eu te adorar por medo do inferno, queima-me no inferno. Se eu te adorar pelo paraíso, exclua-me do paraíso. Mas se eu te adorar pelo que Tu és, não escondas de mim a Tua face”.

(Rabia - mulher cristã Iraquiana - 800 D.C. Epígrafe no seu túmulo).



MENSAGEM DO DIA

MENSAGENS__

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Chamado para Viver Plenamente: O Antídoto Contra o Isolamento da Alma




                    Vivemos dias em que o silêncio dos corações ecoa mais alto do que as vozes das multidões. Nunca houve tanto barulho e, paradoxalmente, tanta solidão. O conhecimento se multiplica a uma velocidade assombrosa, a tecnologia nos conecta a qualquer lugar do mundo em um piscar de olhos, mas, ainda assim, o ser humano se sente mais desconectado do que nunca. É uma época em que estamos cercados de gente, mas distantes uns dos outros; repletos de informações, mas vazios de sabedoria; abarrotados de bens, mas mendigando significado.

                A alma humana foi criada para a comunhão, para o calor dos relacionamentos, para o pulsar da vida ao lado do próximo. Mas o culto ao individualismo transformou nossa existência em uma jornada solitária, onde olhamos uns para os outros com desconfiança, como estranhos vagando na mesma estrada sem se reconhecerem. É como se tivéssemos esquecido que ser humano é ser relacional, que a essência da vida está em compartilhar, amar e ser amado.

                    E o que dizer da igreja? Da comunidade dos remidos, chamados para refletir a glória de Cristo no mundo? Não estamos também vivendo um tempo de afastamento espiritual, onde a fé tem sido reduzida a um espetáculo individualista, onde cada um busca apenas seus próprios interesses, sua própria bênção, sua própria salvação, sem se preocupar com o outro?

                    Hoje, convido você a uma jornada de resgate. Resgate do verdadeiro significado de ser humano, de ser igreja, de ser um reflexo do amor de Deus neste mundo. Pois não fomos criados para a solidão, mas para a comunhão. Não fomos feitos para o egoísmo, mas para o amor. Não fomos chamados para viver para nós mesmos, mas para viver para Deus e para o próximo.

                    Desde os primórdios da humanidade, a tensão entre o "eu" e o "nós" tem acompanhado a existência humana. Somos, ao mesmo tempo, seres sociais e egocêntricos. Desejamos a companhia do outro, mas temos dificuldade em abrir mão de nossa vontade em favor do bem comum. Queremos ser amados, mas relutamos em amar sem reservas. Procuramos aceitação, mas temos medo da vulnerabilidade. Esse paradoxo atravessa os séculos, molda culturas, ergue muros e destrói pontes.

                    Tolstói disse: "Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo." Eis o dilema da humanidade: exigimos que os outros sejam melhores, enquanto nos agarramos às nossas próprias falhas e justificamos nossos próprios erros. Vivemos na era da intolerância seletiva, onde perdoamos rapidamente nossas próprias faltas, mas condenamos impiedosamente as dos outros.

                E o que dizer da igreja? Será que estamos imunes a esse mal? Lamentavelmente, não. A comunidade dos santos, chamada para ser o farol da graça, tem, muitas vezes, refletido o espírito deste século. As congregações tornaram-se reuniões de indivíduos, onde cada um busca apenas aquilo que lhe convém. O amor ao próximo foi substituído pela conveniência, a comunhão foi trocada pelo consumismo espiritual. Como disse Charles Spurgeon: "A igreja que não busca alcançar os perdidos é uma igreja perdida em si mesma."

                    E, no entanto, há esperança. Há um chamado que ressoa mais alto do que a cultura do egoísmo. Há um convite à vida abundante, que não pode ser vivido na solidão. A Bíblia nos ensina que "melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro" (Eclesiastes 4:9-10). Deus nos criou para caminharmos juntos, para chorarmos juntos, para celebrarmos juntos. A igreja não é um edifício, não é um evento dominical, não é uma plataforma de exibição. A igreja é um corpo, e um corpo só vive quando suas partes estão unidas.

                        Jung afirmou que "aquilo a que você resiste, persiste." E não é exatamente isso que vemos? Resistimos ao amor ao próximo, e nossa solidão persiste. Resistimos ao perdão, e nossos rancores se tornam correntes que nos aprisionam. Resistimos à humildade, e nos tornamos cada vez mais vazios de significado. Freud dizia que "as emoções não expressas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e voltam de formas piores." O que temos enterrado dentro de nós? Orgulho, ressentimento, medo? Até quando carregaremos pesos que Deus já nos chamou para deixar aos pés da cruz?

                        A sociedade está doente porque as pessoas estão doentes. As pessoas estão doentes porque suas relações estão quebradas. E suas relações estão quebradas porque perderam a conexão com a única Fonte capaz de restaurá-las: Deus.

                        Cristo nos deixou um legado inquestionável: "Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros" (João 13:35). Não fomos chamados para erguer impérios religiosos, mas para construir pontes. Não fomos salvos para vivermos isolados, mas para sermos família. O evangelho não é um chamado para o individualismo, mas um convite para a comunhão.

                        A cura para uma sociedade doente não está em mais tecnologia, mais informação ou mais entretenimento. Está no retorno à essência da vida cristã: o amor a Deus e ao próximo. A verdadeira felicidade não está em acumular, mas em compartilhar. Como disse Jesus: "Há mais felicidade em dar do que em receber" (Atos 20:35).

                        O primeiro passo para essa cura começa dentro de cada um de nós. Começa quando escolhemos derrubar os muros que nos separam, quando renunciamos ao egoísmo que nos aprisiona, quando entendemos que dependemos uns dos outros e que, juntos, refletimos a glória do Deus que nos criou.

                        O apóstolo Paulo declarou: "Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo" (Gálatas 6:2). Isso significa que o sofrimento de um deve ser compartilhado pelo outro. Isso significa que sua dor me pertence, e minha alegria pertence a você. Isso significa que, quando nos encontramos em Deus, encontramos também uns aos outros.

                        Portanto, mate o egoísmo dentro de você. Permita-se amar, mesmo sem garantias. Permita-se confiar, mesmo sem certezas. Permita-se ser vulnerável, mesmo sem seguranças. Porque foi exatamente assim que Cristo nos amou: sem reservas, sem condições, sem medidas.

                        Que sejamos um povo conhecido não por nossos templos ou por nossas palavras, mas por nosso amor. Pois, no fim das contas, não importa quantas conquistas tenhamos, quantos bens possuamos ou quantos feitos realizemos: se não tivermos amor, nada seremos (1 Coríntios 13:2).

                    Que Deus nos cure. Que Deus nos una. Que Deus nos ensine a ser, finalmente, humanos.

 

Capelão Nascente  🙏
International Voluntary Chaplancy Service - IVCS



CONTATO COM O AUTOR DO BLOG_


- nascente.marketing@gmail.com
- willasnascente@gmail.com


Willas Nascente

.

.


.

.

.


.

.

.

.

.

.


.

Pesquisar neste blog

Nossa Fé e Crença

"Creio em um só Deus, Pai Onipotente, criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos; Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus; gerado, não feito; consubstancial com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; que por nós e para nossa salvação desceu dos céus e encarnou, por obra do Espírito Santo, da virgem Maria (mulher virgem, digna e exemplo de conduta para todos nós, mas não adorada); e se fez homem. Foi também crucificado sob o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai; e virá outra vez com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor Doador da vida, procedente do Pai e do Filho; que, com o Pai e o Filho, é juntamente adorado e glorificado."

Credo Niceno, Império de Constantino,
Constantinopla, 381 d. C.

.

.






.