
É comum vermos a expressão_ Rolou uma química entre nós! A ciência surge desvendando mistérios deste sentimento. Na verdade, para os cientistas tudo não passa de reações químicas. E eles catalogaram várias substâncias_ adrenalina, noradrenalina, feniletilamina, dopamina, oxitocina, a serotonina e as endorfinas. São necessários vários hormônios para sentir aquela sensação maravilhosa quando se está amando. A dopamina produz a sensação de felicidade, a adrenalina causa a aceleração do coração e a excitação. A noradrenalina é o hormônio responsável pelo desejo sexual, e nesse estágio é que se diz que existe uma verdadeira química, pois os corpos se misturam como elementos em uma reação química. Mas acontece que essa sensação pode não durar muito tempo, neste ponto os casais têm a impressão que o amor esfriou. Com o passar do tempo o organismo vai se acostumando e adquirindo resistência, e passa a necessitar de doses cada vez maiores de substâncias químicas para provocar as mesmas sensações do início. É aí que entra os hormônios Ocitocina e Vasopressina, são eles os responsáveis pela atração que evolui para uma relação calma, duradoura e segura, afinal, o amor é eterno!
Quando olhamos para os humanistas, àqueles que pelo homem tentam se auto-compreender, encontramos a psicologia. Nela, conceituados intelectuais definem tal sentimento. Os homens são egoístas, pois antes de quererem amar querem ser amados primeiro. São como aqueles gatinhos que ficam se esfregando nas pernas das pessoas querendo receber carinho. O ato deles se esfregarem não é para dar carinho, mas exclusivamente para receber carinho. Assim são com os homens. Quem ama busca exclusivamente sua própria felicidade e pela felicidade entrega sua própria vida. Na psicologia não existe reações químicas, existe o ser-humano em sociedade querendo “se dar bem” acima de tudo. Mesmo preso a princípios o homem ainda busca sua auto-realização antes de querer realizar a alguém. Egoísta e morrerá egoísta. A humanidade deste homem está em diminuir esta dosagem de egoísmo e se lançar em atos altruístas que lhe apresenta a sociedade como herói, aquele que entrega sua própria vida ao próximo.
Diante deste ato altruísta, vemos um novo paradigma nascendo para o amor. Um ato heróico é em geral instintivo e nunca cotidiano. Quando se ama se entrega totalmente para a pessoa amada, e quando se entrega, mesmo não se anulando, passa a existir por ela. Como na reação química, antes duas substancias, agora apenas uma única. O amor é a centelha divina neste mundo egocêntrico e cheio de egoísmo. Pelo homem, o amor nunca pode existir; pelo homem este nunca pode amar; amar pelo verdadeiro conceito do amor. Pois quem ama, antes de querer ser feliz, deseja primeiro fazer o outro feliz. Aí está o grande ensinamento dos mestres! Quem ama mata seu egoísmo e se torna um eterno altruísta; depreendido e totalmente liberto de si mesmo, tornando-se feliz em fazer o outro feliz!
Neste momento não estamos interessados nos nomes das “inas”, adrenalina, serotonina... da ciência; o que importa de verdade é o sabor do churrasco. Na verdade, no fundo, isto é o que importa. O amor é simples assim, o homem é quem o complicou demais!
Hoje posso dizer, o amor é um milagre, uma dádiva de Deus a nós, que mesmo sendo tão pequenos e falhos, nos concedeu esta graça; e por esta graça faz de quem ama verdadeiramente feliz.
Quero encerrar esta postagem com as palavras do Matias Aires, um pensador do início do século XVIII que disse_ “O amor não se pode definir; e talvez esta seja a sua melhor definição. Sendo em nós limitado o modo de explicar, é infinito o modo de sentir; por isso nem tudo o que se sabe sentir, se sabe dizer: o gosto, a dor, não se podem reduzir a palavras. Os que amam não tem livres o espírito para dizerem o que sentem; e sempre acham que o que sentem é mais que o que dizem.”
Willas Nascente



