'Res, non verba'_ Fatos, não palavras.
Neste espaço, não cultivamos discursos ocasos nem devaneios inúteis — aqui, cada palavra se ancora em fatos, sólidos e inegociáveis.

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PENSAMENTO DO DIA




PENSAMENTO DO DIA

"Se eu te adorar por medo do inferno, queima-me no inferno. Se eu te adorar pelo paraíso, exclua-me do paraíso. Mas se eu te adorar pelo que Tu és, não escondas de mim a Tua face”.

(Rabia - mulher cristã Iraquiana - 800 D.C. Epígrafe no seu túmulo).



MENSAGEM DO DIA

MENSAGENS__

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Amor, simples significado por um simples ato.




                         Hoje em dia, muito se tem falado acerca desta palavra. Palavra esta que por séculos tem inspirado poetas, filósofos e escritores apaixonados... Até os mais pessimistas sentem atraído por ela, os céticos suspiram e agora, a ciência se atreve a desvendá-la. Alguns dizem que uma explicação científica de algum assunto tira a beleza e a poesia do mesmo; não preciso dizer que tal argumentação é um absurdo! Pois se tal fato fosse verdade, o churrasco nunca mais teria o mesmo sabor por ser conhecer as estruturas das proteínas.
                          É comum vermos a expressão_ Rolou uma química entre nós! A ciência surge desvendando mistérios deste sentimento. Na verdade, para os cientistas tudo não passa de reações químicas. E eles catalogaram várias substâncias_ adrenalina, noradrenalina, feniletilamina, dopamina, oxitocina, a serotonina e as endorfinas. São necessários vários hormônios para sentir aquela sensação maravilhosa quando se está amando. A dopamina produz a sensação de felicidade, a adrenalina causa a aceleração do coração e a excitação. A noradrenalina é o hormônio responsável pelo desejo sexual, e nesse estágio é que se diz que existe uma verdadeira química, pois os corpos se misturam como elementos em uma reação química. Mas acontece que essa sensação pode não durar muito tempo, neste ponto os casais têm a impressão que o amor esfriou. Com o passar do tempo o organismo vai se acostumando e adquirindo resistência, e passa a necessitar de doses cada vez maiores de substâncias químicas para provocar as mesmas sensações do início. É aí que entra os hormônios Ocitocina e Vasopressina, são eles os responsáveis pela atração que evolui para uma relação calma, duradoura e segura, afinal, o amor é eterno! 
                       Quando olhamos para os humanistas, àqueles que pelo homem tentam se auto-compreender, encontramos a psicologia. Nela, conceituados intelectuais definem tal sentimento. Os homens são egoístas, pois antes de quererem amar querem ser amados primeiro. São como aqueles gatinhos que ficam se esfregando nas pernas das pessoas querendo receber carinho. O ato deles se esfregarem não é para dar carinho, mas exclusivamente para receber carinho. Assim são com os homens. Quem ama busca exclusivamente sua própria felicidade e pela felicidade entrega sua própria vida. Na psicologia não existe reações químicas, existe o ser-humano em sociedade querendo “se dar bem” acima de tudo. Mesmo preso a princípios o homem ainda busca sua auto-realização antes de querer realizar a alguém. Egoísta e morrerá egoísta. A humanidade deste homem está em diminuir esta dosagem de egoísmo e se lançar em atos altruístas que lhe apresenta a sociedade como herói, aquele que entrega sua própria vida ao próximo.  
                         Diante deste ato altruísta, vemos um novo paradigma nascendo para o amor. Um ato heróico é em geral instintivo e nunca cotidiano. Quando se ama se entrega totalmente para a pessoa amada, e quando se entrega, mesmo não se anulando, passa a existir por ela. Como na reação química, antes duas substancias, agora apenas uma única. O amor é a centelha divina neste mundo egocêntrico e cheio de egoísmo. Pelo homem, o amor nunca pode existir; pelo homem este nunca pode amar; amar pelo verdadeiro conceito do amor. Pois quem ama, antes de querer ser feliz, deseja primeiro fazer o outro feliz. Aí está o grande ensinamento dos mestres! Quem ama mata seu egoísmo e se torna um eterno altruísta; depreendido e totalmente liberto de si mesmo, tornando-se feliz em fazer o outro feliz!
                     Neste momento não estamos interessados nos nomes das “inas”, adrenalina, serotonina... da ciência; o que importa de verdade é o sabor do churrasco. Na verdade, no fundo, isto é o que importa. O amor é simples assim, o homem é quem o complicou demais!
 Hoje posso dizer, o amor é um milagre, uma dádiva de Deus a nós, que mesmo sendo tão pequenos e falhos, nos concedeu esta graça; e por esta graça faz de quem ama verdadeiramente feliz. 
 Quero encerrar esta postagem com as palavras do Matias Aires, um pensador do início do século XVIII que disse_ “O amor não se pode definir; e talvez esta seja a sua melhor definição. Sendo em nós limitado o modo de explicar, é infinito o modo de sentir; por isso nem tudo o que se sabe sentir, se sabe dizer: o gosto, a dor, não se podem reduzir a palavras. Os que amam não tem livres o espírito para dizerem o que sentem; e sempre acham que o que sentem é mais que o que dizem.”

Willas Nascente

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Quando Menos é Mais: O Verdadeiro Contentamento da Alma





                         Vivemos em tempos onde a insatisfação se tornou quase um estilo de vida. Somos pressionados a querer sempre mais — mais dinheiro, mais reconhecimento, mais conquistas. Mas será que a felicidade está realmente em possuir mais, ou em aprender a se contentar com o que já temos? Erasmo de Roterdã, em O Elogio da Loucura, escreveu:

"A felicidade consiste, sobretudo, em se querer ser o que se é. Ora, só o divino amor próprio pode conceder tamanho bem."

                        Essa reflexão parece simples, mas carrega uma verdade profunda: ser feliz não está em alcançar uma versão idealizada de nós mesmos, mas em aceitar quem somos e encontrar sentido no presente. Tolstói afirmou que "se você busca a perfeição, jamais será feliz." O problema da busca incessante pela perfeição é que ela nos torna prisioneiros de um ideal inalcançável.

                    Jesus nos ensinou um princípio essencial sobre isso: "Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mateus 11:29). No coração humano, há um anseio por descanso, por paz — e essa paz não vem da abundância material ou do status social, mas da capacidade de olhar para a própria vida com gratidão.

                        Mas como podemos viver esse contentamento genuíno em meio a tantas pressões? Como encontrar felicidade na simplicidade? Para isso, precisamos entender que a felicidade não está no futuro, mas no presente.

                    Muitos pensadores ao longo da história perceberam que o ser humano tem uma tendência a projetar sua felicidade no que ainda não tem, acreditando que a realização virá "quando" algo acontecer. "Serei feliz quando conseguir aquele emprego dos sonhos." "Serei feliz quando tiver minha casa própria." "Serei feliz quando for reconhecido." Mas a felicidade sempre parece estar além do nosso alcance, pois, quando atingimos esses objetivos, logo criamos outros, e a busca nunca termina.

                    Carl Jung observou que "o privilégio de uma vida é tornar-se aquilo que se é de fato." Ele percebeu que muitas pessoas vivem vidas frustradas porque tentam ser algo que não são. Em um mundo que nos ensina a desejar ser sempre mais, Jung nos convida a olhar para dentro e perguntar: o que realmente nos faz felizes?

                            Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores, disse algo que pode transformar a nossa visão:

                       “Um coração satisfeito com Cristo está livre da tirania do mundo.”

                            Isso significa que, quando nosso contentamento vem de algo sólido — e não das circunstâncias externas —, somos libertos da ansiedade de sempre buscar algo a mais. Spurgeon ainda nos lembra que "uma pequena fé levará tua alma ao céu, mas uma grande fé trará o céu para tua alma." A fé genuína nos ensina a enxergar a beleza nas pequenas coisas, a encontrar valor naquilo que Deus já nos deu, sem a necessidade de validação externa.

                        Mas e quanto às dificuldades? Como encontrar contentamento quando a vida nos apresenta desafios? Freud, ao estudar a psique humana, afirmou que "um dia, ao olharmos para trás, os anos de luta nos parecerão os mais belos." Isso nos ensina que até mesmo as provações têm um propósito. O sofrimento não deve ser evitado a todo custo, mas compreendido como parte essencial da construção de quem somos.

                        O apóstolo Paulo, que enfrentou prisões, perseguições e privações, escreveu:

"Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação." (Filipenses 4:11)

                        Aqui está a chave: o contentamento não vem do que temos, mas de como escolhemos enxergar a vida. Podemos ser ricos e infelizes ou simples e plenos. Podemos ter muito e ainda assim nos sentirmos vazios, ou ter pouco e sentir uma gratidão imensa.

                     O problema não está nas coisas em si, mas no que fazemos com elas. Um homem que tem um grande patrimônio, mas está sempre insatisfeito, é mais pobre que aquele que, com pouco, consegue viver com alegria. A verdadeira riqueza não está na conta bancária, mas no coração.

                        Jesus nos deu um ensinamento essencial sobre isso:

            "Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Mas ajuntai para vós tesouros no céu." (Mateus 6:19-20)

                     A pergunta que precisamos nos fazer é: estamos buscando a felicidade nos lugares errados? Será que nossa alegria depende do que podemos conquistar, ou do que já temos dentro de nós?

                        A ausência de exigências não significa ausência de sonhos. Significa que não somos escravizados por eles. Quando deixamos de condicionar nossa felicidade a circunstâncias externas, experimentamos uma paz que o mundo não pode dar. Como Spurgeon dizia, "o cristão que confia no Senhor pode cantar no vale tanto quanto no monte."

                    A felicidade genuína não está no futuro, nem em um ideal inalcançável, mas no presente, na capacidade de olhar para a própria vida com gratidão. Assim como uma flor ao nosso lado pode ser mais bela do que um céu estrelado ao longe, as pequenas bênçãos que já possuímos são mais valiosas do que qualquer promessa distante.

                                Rui Barbosa afirmou:

                   "Um povo cuja fé se petrificou, é um povo cuja liberdade se perdeu."

                            O mesmo acontece conosco. Se nossa fé estiver petrificada — se não acreditarmos que Deus pode nos satisfazer no presente —, seremos escravos de desejos incessantes e nunca encontraremos descanso.

                    Portanto, ao invés de buscar a felicidade naquilo que ainda não temos, que tal olharmos ao redor e encontrarmos beleza naquilo que já nos foi dado? Pois como nos lembra a Escritura:

            "Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos e alegremo-nos nele." (Salmos 118:24)

                    Que possamos, hoje, encontrar alegria na simplicidade e viver com um coração cheio de gratidão. Pois a verdadeira felicidade não está em ter tudo, mas em saber que já temos o suficiente.



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terça-feira, 8 de julho de 2008

Sedentos ao Lado da Fonte de Águas Vivas


                        Falar sobre liberdade é mergulhar no mais profundo anseio humano, aquele que pulsa desde o primeiro respiro fora do útero até o último suspiro da existência. Desde os primórdios, o ser humano almeja ser livre. Seja no medo ou na coragem, nas angústias ou nas conquistas, a liberdade sempre nos impele para novos caminhos, novos horizontes.

                           Os pensadores e poetas há séculos tentam capturar sua essência. Cecília Meireles, em Romanceira da Inconfidência, entoa: "Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta; que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda." Nessa simplicidade, encontramos a mais sublime complexidade.

                            Descartes enxergava a liberdade como fruto do conhecimento: quem mais compreende suas opções, mais livre é. Para Leibniz, a liberdade era inalcançável. Spinoza a via como capacidade de agir conforme a própria vontade. Schopenhauer via o homem prisioneiro dos seus desejos. Kant definiu a liberdade como autonomia: estabelecer a própria moral, guiado pela razão. Sartre, por sua vez, afirmou que estamos condenados à liberdade, pois a obrigação de escolher nos angustia.

                            Tantas interpretações, tantas perspectivas. Mas onde está a raiz da liberdade? George Washington disse: "A liberdade é uma planta que cresce depressa quando ganha raízes." E quais são as raízes que sustentam a verdadeira liberdade?

                        Isaías 61 anuncia a resposta: "O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar liberdade aos cativos e a pôr em liberdade os algemados." Cristo veio para nos libertar!

                   A liberdade verdadeira não é mero conceito filosófico. Ela é vivenciada no conhecimento da Verdade. "Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará" (João 8:32). E a Verdade é Cristo. O conhecimento genuíno liberta, mas exige sacrifício. Os que se entregam ao comodismo permanecem escravizados por tradições e crendices infundadas. Crêem sem questionar, seguem sem refletir, choram sem entender. Peregrinam pelo tempo, perdendo-se e reencontrando-se, mas nunca se achando.

                    Cícero declarou: "Sou escravo do dever por amor à liberdade." A liberdade verdadeira submete-nos ao dever maior: a entrega ao Criador. O mundo grita que liberdade é viver sem limites, mas a verdadeira liberdade é viver dentro da ordem divina. Liberdade sem moralidade é apenas ilusião.

                A liberdade que vale a pena exige renúncia. Rejeitar a superficialidade, desafiar as tradições vazias, abandonar a ignorância. Somente quem se rende à Verdade experimenta a plenitude da liberdade.

                        Rui Barbosa advertiu: "Um povo cuja fé se petrificou, é um povo cuja liberdade se perdeu." Que nossa fé seja viva, e nossa liberdade, inabalável.


               

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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sedentos de Eternidade: O Clamor por Águas Vivas

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                            Ao longo da história, o homem sempre procurou saciar sua sede. Sede de significado, sede de justiça, sede de paz. Ele bebe das fontes que o mundo oferece – fontes turvas de poder, fama e prazeres passageiros. No entanto, quanto mais bebe, mais seco se sente. É como um viajante exausto sob o sol escaldante do deserto, debruçando-se sobre poços rachados, onde a água nunca se mantém. Mas há uma promessa eterna, um convite divino ecoando por toda a Escritura: "Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida" (Apocalipse 22:17).

                    Jesus, em sua caminhada terrena, encontrou uma mulher junto ao poço de Jacó. Uma mulher marcada por vazios, por escolhas erradas, por uma busca incessante de preenchimento. Mas o Mestre lhe disse: "Aquele que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna" (João 4:13-14). Quantos de nós somos como essa mulher, repetindo jornadas áridas, saciando-nos de ilusões que apenas intensificam nosso vazio?

                        Os poços do mundo nunca foram capazes de suprir nossa alma. E no entanto, há aqueles que vivem sedentos ao lado da fonte. A água da vida está próxima, fluindo livremente, mas muitos se recusam a beber. Preferem seus métodos rápidos, suas soluções instantâneas, seus atalhos espirituais. A igreja moderna, por vezes, reflete essa inquietação: busca um avivamento sem quebrantamento, deseja poder sem consagração, quer transformação sem renúncia.

                        A sede espiritual não pode ser suprida por teologias humanistas ou entretenimentos disfarçados de fé. O Evangelho não é um convite para um espetáculo religioso, mas para uma entrega profunda e sincera. Charles Spurgeon dizia: "Nada aprendemos verdadeiramente enquanto não estivermos dispostos a ser ensinados por Deus." No entanto, muitos desejam uma fé moldada aos seus desejos, e não um coração moldado pela cruz.

                        Como podemos nos saciar se não nos curvamos para beber? Como podemos ser transformados se resistimos ao toque do Espírito? A pressa do mundo nos engana, e queremos um crescimento espiritual rápido, como se a santidade pudesse ser adquirida no ritmo de um fast-food. Mas Deus não está interessado em velocidade, e sim em profundidade. Ele não busca quantidade, mas qualidade. O próprio Jesus levou trinta anos para começar seu ministério. Paulo passou anos no deserto antes de pregar aos gentios. A pressa nunca foi um instrumento de Deus, mas a paciência, sim.

                        O Senhor não nos chamou para corrermos apressadamente por atalhos espirituais. Ele nos convida a parar, inclinar-nos e beber. Beber da fonte inesgotável de Sua Palavra. Beber das águas da Sua presença. Beber do Seu Espírito, que nos conduz à vida plena.

                           Se a igreja de hoje está sedenta, não é porque lhe falta recursos, prédios ou estratégias. Falta-lhe quebrantamento, falta-lhe sede genuína por Cristo, falta-lhe o clamor dos verdadeiros adoradores. A verdadeira adoração nos conduz para o outro e não para nós mesmos. Quando adoramos em Espírito e em verdade, nossa vida se torna uma resposta ao chamado divino, um transbordar daquilo que Ele nos dá. "O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Leva-me para junto das águas de descanso" (Salmos 23:1-2). Mas como poderemos encontrar descanso se insistimos em permanecer no deserto da autossuficiência?

                           O homem que se curva para beber da fonte de Deus jamais será o mesmo. Ele se erguerá com um novo propósito, com um novo ardor, com uma missão divina escrita em seu coração. E, então, poderá dizer como o salmista: "A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?" (Salmos 42:2).

                            Se temos sede, precisamos ir à fonte. E a fonte está aberta. As águas estão fluindo. A questão não é se há água, mas se estamos dispostos a beber.

 

 

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quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Chamado para Viver Plenamente: O Antídoto Contra o Isolamento da Alma




                    Vivemos dias em que o silêncio dos corações ecoa mais alto do que as vozes das multidões. Nunca houve tanto barulho e, paradoxalmente, tanta solidão. O conhecimento se multiplica a uma velocidade assombrosa, a tecnologia nos conecta a qualquer lugar do mundo em um piscar de olhos, mas, ainda assim, o ser humano se sente mais desconectado do que nunca. É uma época em que estamos cercados de gente, mas distantes uns dos outros; repletos de informações, mas vazios de sabedoria; abarrotados de bens, mas mendigando significado.

                A alma humana foi criada para a comunhão, para o calor dos relacionamentos, para o pulsar da vida ao lado do próximo. Mas o culto ao individualismo transformou nossa existência em uma jornada solitária, onde olhamos uns para os outros com desconfiança, como estranhos vagando na mesma estrada sem se reconhecerem. É como se tivéssemos esquecido que ser humano é ser relacional, que a essência da vida está em compartilhar, amar e ser amado.

                    E o que dizer da igreja? Da comunidade dos remidos, chamados para refletir a glória de Cristo no mundo? Não estamos também vivendo um tempo de afastamento espiritual, onde a fé tem sido reduzida a um espetáculo individualista, onde cada um busca apenas seus próprios interesses, sua própria bênção, sua própria salvação, sem se preocupar com o outro?

                    Hoje, convido você a uma jornada de resgate. Resgate do verdadeiro significado de ser humano, de ser igreja, de ser um reflexo do amor de Deus neste mundo. Pois não fomos criados para a solidão, mas para a comunhão. Não fomos feitos para o egoísmo, mas para o amor. Não fomos chamados para viver para nós mesmos, mas para viver para Deus e para o próximo.

                    Desde os primórdios da humanidade, a tensão entre o "eu" e o "nós" tem acompanhado a existência humana. Somos, ao mesmo tempo, seres sociais e egocêntricos. Desejamos a companhia do outro, mas temos dificuldade em abrir mão de nossa vontade em favor do bem comum. Queremos ser amados, mas relutamos em amar sem reservas. Procuramos aceitação, mas temos medo da vulnerabilidade. Esse paradoxo atravessa os séculos, molda culturas, ergue muros e destrói pontes.

                    Tolstói disse: "Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo." Eis o dilema da humanidade: exigimos que os outros sejam melhores, enquanto nos agarramos às nossas próprias falhas e justificamos nossos próprios erros. Vivemos na era da intolerância seletiva, onde perdoamos rapidamente nossas próprias faltas, mas condenamos impiedosamente as dos outros.

                E o que dizer da igreja? Será que estamos imunes a esse mal? Lamentavelmente, não. A comunidade dos santos, chamada para ser o farol da graça, tem, muitas vezes, refletido o espírito deste século. As congregações tornaram-se reuniões de indivíduos, onde cada um busca apenas aquilo que lhe convém. O amor ao próximo foi substituído pela conveniência, a comunhão foi trocada pelo consumismo espiritual. Como disse Charles Spurgeon: "A igreja que não busca alcançar os perdidos é uma igreja perdida em si mesma."

                    E, no entanto, há esperança. Há um chamado que ressoa mais alto do que a cultura do egoísmo. Há um convite à vida abundante, que não pode ser vivido na solidão. A Bíblia nos ensina que "melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro" (Eclesiastes 4:9-10). Deus nos criou para caminharmos juntos, para chorarmos juntos, para celebrarmos juntos. A igreja não é um edifício, não é um evento dominical, não é uma plataforma de exibição. A igreja é um corpo, e um corpo só vive quando suas partes estão unidas.

                        Jung afirmou que "aquilo a que você resiste, persiste." E não é exatamente isso que vemos? Resistimos ao amor ao próximo, e nossa solidão persiste. Resistimos ao perdão, e nossos rancores se tornam correntes que nos aprisionam. Resistimos à humildade, e nos tornamos cada vez mais vazios de significado. Freud dizia que "as emoções não expressas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e voltam de formas piores." O que temos enterrado dentro de nós? Orgulho, ressentimento, medo? Até quando carregaremos pesos que Deus já nos chamou para deixar aos pés da cruz?

                        A sociedade está doente porque as pessoas estão doentes. As pessoas estão doentes porque suas relações estão quebradas. E suas relações estão quebradas porque perderam a conexão com a única Fonte capaz de restaurá-las: Deus.

                        Cristo nos deixou um legado inquestionável: "Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros" (João 13:35). Não fomos chamados para erguer impérios religiosos, mas para construir pontes. Não fomos salvos para vivermos isolados, mas para sermos família. O evangelho não é um chamado para o individualismo, mas um convite para a comunhão.

                        A cura para uma sociedade doente não está em mais tecnologia, mais informação ou mais entretenimento. Está no retorno à essência da vida cristã: o amor a Deus e ao próximo. A verdadeira felicidade não está em acumular, mas em compartilhar. Como disse Jesus: "Há mais felicidade em dar do que em receber" (Atos 20:35).

                        O primeiro passo para essa cura começa dentro de cada um de nós. Começa quando escolhemos derrubar os muros que nos separam, quando renunciamos ao egoísmo que nos aprisiona, quando entendemos que dependemos uns dos outros e que, juntos, refletimos a glória do Deus que nos criou.

                        O apóstolo Paulo declarou: "Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo" (Gálatas 6:2). Isso significa que o sofrimento de um deve ser compartilhado pelo outro. Isso significa que sua dor me pertence, e minha alegria pertence a você. Isso significa que, quando nos encontramos em Deus, encontramos também uns aos outros.

                        Portanto, mate o egoísmo dentro de você. Permita-se amar, mesmo sem garantias. Permita-se confiar, mesmo sem certezas. Permita-se ser vulnerável, mesmo sem seguranças. Porque foi exatamente assim que Cristo nos amou: sem reservas, sem condições, sem medidas.

                        Que sejamos um povo conhecido não por nossos templos ou por nossas palavras, mas por nosso amor. Pois, no fim das contas, não importa quantas conquistas tenhamos, quantos bens possuamos ou quantos feitos realizemos: se não tivermos amor, nada seremos (1 Coríntios 13:2).

                    Que Deus nos cure. Que Deus nos una. Que Deus nos ensine a ser, finalmente, humanos.

 

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Nossa Fé e Crença

"Creio em um só Deus, Pai Onipotente, criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos; Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus; gerado, não feito; consubstancial com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; que por nós e para nossa salvação desceu dos céus e encarnou, por obra do Espírito Santo, da virgem Maria (mulher virgem, digna e exemplo de conduta para todos nós, mas não adorada); e se fez homem. Foi também crucificado sob o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai; e virá outra vez com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor Doador da vida, procedente do Pai e do Filho; que, com o Pai e o Filho, é juntamente adorado e glorificado."

Credo Niceno, Império de Constantino,
Constantinopla, 381 d. C.

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