
Rembrandt (Leida, 15 de julho de 1606, Amsterdam; 4 de outubro de 1669). Pintor neerlandês.
Óleo sobre Tela _ Mendigo.
Este texto revela a humanidade daqueles que vivem às margens da sociedade, lançando luz sobre a dura realidade desses pobres moribundos.
Quando a vida parece perder seu sentido e propósito. Quando o suspiro torna-se tão intenso a ponto de nos anestesiar pela dor. Quando o sono foge dos olhos diante de preocupações e tristezas avassaladoras. Quando o mundo, impiedoso, corre rumo às suas conquistas e nos deixa para trás, esquecidos, ignorados. Quando os amigos seguem suas vidas como se não existíssemos e os parentes desistem de nos abraçar, dando-nos por caso perdido. Quando nossa presença, mesmo silenciosa e humilde, passa a incomodar. Quando todos se vão e sobra apenas a solidão de uma existência vazia, então percebemos que há, espalhadas pelo mundo, milhares de outras almas suportando sofrimentos ainda mais profundos que os nossos.
Basta observar as calçadas de nossas cidades para enxergar rostos aflitos, jovens, idosos, famílias inteiras esquecidas, vivendo à sombra da sociedade. E, no entanto, dentro dessas almas solitárias, pulsa um coração guerreiro, que, mesmo maltratado, insiste em bater. Mas por quê? Por que continuar vivendo, quando a vida parece um ciclo interminável de dor e morte? Por que tantas lágrimas são as únicas companheiras fiéis, as únicas que deslizam pelas faces sujas e marcadas pelo abandono, aquecendo com sua umidade as noites solitárias, escuras e frias desses renegados? Seus poros transpiram dor. Ao redor deles, multidões passam, mas ninguém se aproxima.
Até os animais, movidos pelo instinto, vivem em comunidade, como se soubessem que a solidão não foi feita nem mesmo para as bestas do campo. Mas o homem, criado para se relacionar, ignora seus semelhantes. Os ratos alimentam-se dos restos do lixo, e ninguém se importa. Mas quando um desses pseudo-seres humanos, movido pela fome desesperadora, revirando os detritos em busca de um mísero pedaço de pão, causa nojo, repulsa. Ele existe, mas é invisível. É um erro ambulante, um equívoco social. Nasceu por acidente e vive acidentando-se. Um tropeço após o outro. Nunca aprendeu a acertar. Ninguém lhe ensinou.
Até que, um dia, decidido a dormir e nunca mais acordar, ele se vê diante de um homem. Um homem que segura suas mãos sujas, olha para ele com olhos marejados de compaixão. Um homem que o levanta, conduzindo-o para um lar. Ali, dá-lhe banho, faz-lhe a barba, retira-lhe os trapos imundos que vestiam seu corpo maltrapilho e cobre-o com roupas limpas e perfumadas. Em seus pés descalços, coloca sapatos confortáveis. No estômago vazio, oferece comida quente e saborosa, que há meses ele não saboreava. E, diante de um espelho, aquele homem, pela primeira vez em anos, enxerga algo que nunca vira: dignidade. Nesse instante, contempla o céu aberto e ouve uma voz ecoar em sua alma: "Este é o meu filho amado."
Naquele dia, aprendeu o significado do termo dignidade. E, por meio dela, compreendeu outra palavra não menos valiosa: solidariedade. Um simples ato mudou sua história. Pelo ralo do banheiro não escoou apenas a sujeira física, mas toda a opressão que o subjugava por anos. Deus, através daquele que estendeu a mão, abraçou-o e amou-o. E, por esse abraço, aquele homem, antes moribundo, encontrou motivo para viver, reavivado pelo fôlego divino.
O Cristo do Deus Vivo, o maior dos renegados, mostrou-lhe que vale a pena viver, mesmo quando tudo ao redor parece ruína e lamento.
Se você acha que não tem nada a oferecer, basta olhar pela janela do carro e verá muitos que possuem ainda menos do que você. Se sua vida parece sem sentido, olhe para aqueles que dormem sob marquises e perceberá que muitos nem sequer têm o que comer, mas, ainda assim, lutam diariamente para sobreviver. E por quê? Porque a vida é tudo o que lhes resta. E enquanto há vida, há esperança.
Não adie para amanhã as decisões que precisam ser tomadas hoje. Não assassine sua vida matando seus sonhos e esperanças. Há mendigos nas ruas, mas há também mendigos morando em palácios e dirigindo carros de luxo. O mais miserável dos homens não é aquele que não tem dinheiro, casa ou emprego, mas aquele que, tendo tudo isso, pensa que nada lhe falta.
Jesus não possuía riquezas materiais, mas foi coroado de majestade pelo Todo-Poderoso. Enquanto isso, aqueles que vivem no conforto de suas posses, se esquecem da única verdade que importa: "Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" (Lucas 12:20).
A correria frenética deste mundo é vaidade. Tudo passa como a neblina ao amanhecer. O que realmente importa está além desta vida. É prudente construir casas para nós e nossos filhos, mas é ainda mais prudente garantir que nossa eternidade seja vivida ao lado d'Aquele que morreu por nós: Jesus Cristo.
Capelão Nascente 🙏
International Voluntary Chaplancy Service - IVCS
Óleo sobre Tela _ Mendigo.
Este texto revela a humanidade daqueles que vivem às margens da sociedade, lançando luz sobre a dura realidade desses pobres moribundos.
Basta observar as calçadas de nossas cidades para enxergar rostos aflitos, jovens, idosos, famílias inteiras esquecidas, vivendo à sombra da sociedade. E, no entanto, dentro dessas almas solitárias, pulsa um coração guerreiro, que, mesmo maltratado, insiste em bater. Mas por quê? Por que continuar vivendo, quando a vida parece um ciclo interminável de dor e morte? Por que tantas lágrimas são as únicas companheiras fiéis, as únicas que deslizam pelas faces sujas e marcadas pelo abandono, aquecendo com sua umidade as noites solitárias, escuras e frias desses renegados? Seus poros transpiram dor. Ao redor deles, multidões passam, mas ninguém se aproxima.
Até os animais, movidos pelo instinto, vivem em comunidade, como se soubessem que a solidão não foi feita nem mesmo para as bestas do campo. Mas o homem, criado para se relacionar, ignora seus semelhantes. Os ratos alimentam-se dos restos do lixo, e ninguém se importa. Mas quando um desses pseudo-seres humanos, movido pela fome desesperadora, revirando os detritos em busca de um mísero pedaço de pão, causa nojo, repulsa. Ele existe, mas é invisível. É um erro ambulante, um equívoco social. Nasceu por acidente e vive acidentando-se. Um tropeço após o outro. Nunca aprendeu a acertar. Ninguém lhe ensinou.
Até que, um dia, decidido a dormir e nunca mais acordar, ele se vê diante de um homem. Um homem que segura suas mãos sujas, olha para ele com olhos marejados de compaixão. Um homem que o levanta, conduzindo-o para um lar. Ali, dá-lhe banho, faz-lhe a barba, retira-lhe os trapos imundos que vestiam seu corpo maltrapilho e cobre-o com roupas limpas e perfumadas. Em seus pés descalços, coloca sapatos confortáveis. No estômago vazio, oferece comida quente e saborosa, que há meses ele não saboreava. E, diante de um espelho, aquele homem, pela primeira vez em anos, enxerga algo que nunca vira: dignidade. Nesse instante, contempla o céu aberto e ouve uma voz ecoar em sua alma: "Este é o meu filho amado."
Naquele dia, aprendeu o significado do termo dignidade. E, por meio dela, compreendeu outra palavra não menos valiosa: solidariedade. Um simples ato mudou sua história. Pelo ralo do banheiro não escoou apenas a sujeira física, mas toda a opressão que o subjugava por anos. Deus, através daquele que estendeu a mão, abraçou-o e amou-o. E, por esse abraço, aquele homem, antes moribundo, encontrou motivo para viver, reavivado pelo fôlego divino.
O Cristo do Deus Vivo, o maior dos renegados, mostrou-lhe que vale a pena viver, mesmo quando tudo ao redor parece ruína e lamento.
Se você acha que não tem nada a oferecer, basta olhar pela janela do carro e verá muitos que possuem ainda menos do que você. Se sua vida parece sem sentido, olhe para aqueles que dormem sob marquises e perceberá que muitos nem sequer têm o que comer, mas, ainda assim, lutam diariamente para sobreviver. E por quê? Porque a vida é tudo o que lhes resta. E enquanto há vida, há esperança.
Não adie para amanhã as decisões que precisam ser tomadas hoje. Não assassine sua vida matando seus sonhos e esperanças. Há mendigos nas ruas, mas há também mendigos morando em palácios e dirigindo carros de luxo. O mais miserável dos homens não é aquele que não tem dinheiro, casa ou emprego, mas aquele que, tendo tudo isso, pensa que nada lhe falta.
Jesus não possuía riquezas materiais, mas foi coroado de majestade pelo Todo-Poderoso. Enquanto isso, aqueles que vivem no conforto de suas posses, se esquecem da única verdade que importa: "Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" (Lucas 12:20).
A correria frenética deste mundo é vaidade. Tudo passa como a neblina ao amanhecer. O que realmente importa está além desta vida. É prudente construir casas para nós e nossos filhos, mas é ainda mais prudente garantir que nossa eternidade seja vivida ao lado d'Aquele que morreu por nós: Jesus Cristo.