'Res, non verba'_ Fatos, não palavras.
Neste espaço, não cultivamos discursos ocasos nem devaneios inúteis — aqui, cada palavra se ancora em fatos, sólidos e inegociáveis.

Translate - Traduza para seu Idioma.

PENSAMENTO DO DIA




PENSAMENTO DO DIA

"Se eu te adorar por medo do inferno, queima-me no inferno. Se eu te adorar pelo paraíso, exclua-me do paraíso. Mas se eu te adorar pelo que Tu és, não escondas de mim a Tua face”.

(Rabia - mulher cristã Iraquiana - 800 D.C. Epígrafe no seu túmulo).



MENSAGEM DO DIA

MENSAGENS__

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Quandos as Pedras Clamam: O Silêncio da Igreja e o Ressoar das Trombetas do Juízo.


Muro das Lamentações em Israel. Oração de um israelita solitário pelos milhares de pedidos que se colocam neste muro.


"Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão."
(Lucas 19:40).  
                    

            Muro das Lamentações, Israel. Um israelita solitário ora pelos milhares de pedidos depositados entre as fendas deste muro sagrado.

"Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão." (Lucas 19:40)

                E de fato, não é de hoje que as pedras clamam. Elas ecoam o grito sufocado de uma igreja silente diante do modernismo, da perda de reverência na liturgia, das palavras ocas que ressoam de alguns púpitos e da teologia reformada — não pelo Evangelho, mas pelo progressismo e seu criticismo frio. As pedras clamam porque são poucas as vozes que ainda proclamam a verdade bíblica tal como ela é: simples, crua, nua, destituída de floreios retóricos e de marketing eclesiástico. Em muitas igrejas, princípios bíblicos foram reduzidos a campanhas intermináveis, fogueiras santas e vendas de promessas que nos foram garantidas gratuitamente pelas Escrituras.

                    É triste ver a igreja esfacelando-se sob as batidas vulgares e profanas que se apoderaram das avenidas de nossas cidades. Lamentável é assistir sua história ruindo sob o peso de alguns proeminentes títulos acadêmicos, que se tornaram bandeira de suposta santidade e, ao mesmo tempo, capa para esconder pecados inconfessos. Se esses mesmos homens, despidos de suas honrarias intelectuais, se rendessem à simplicidade da Palavra, talvez entendessem o que os iletrados compreendem com corações puros.

                 Lágrimas correm por minha face, mas um sorriso invade minha alma. Vejo no caos o cumprimento da Palavra de Deus. Até a própria igreja torna-se testemunha de sua infidelidade, tragicamente repetindo a história de Pilatos, lavando as mãos diante do Cristo.

            Caminhamos para dias em que templos não serão mais instituições reconhecíveis. Os edifícios chamados de igreja se tornarão vestígios de uma era passada. Os remanescentes fiéis à Sola Scriptura sairão de seus santuários luxuosos para se reunirem em casas, como nos dias da igreja primitiva. A igreja de hoje? A verdadeira igreja estará nos lares. Oro para que esse dia não me alcance, pois ainda prezo pelo ajuntamento solene dos santos. Ainda amo a igreja. Ainda acredito na reunião reverente diante do Senhor Jesus. Mas, ao que tudo indica, esse desejo é um sonho que, dia a dia, se transforma em pesadelo.

                Onde estão os pastores que antes gastavam tempo visitando as ovelhas do Senhor? Hoje, preferem o conforto de seus lares e a segurança de seus gabinetes, que se tornaram redutos políticos e centros de negociação de interesses escusos. O ministério pastoral converteu-se num ofício administrativo, onde relatórios mensais substituíram a preocupação genuína com as viúvas, os desempregados, os necessitados e os enfermos. O pastoreio, antes exercido com zelo e dedicação, tornou-se um cargo burocrático de desencargo de consciência.

                A igreja inchou, enriqueceu e perdeu-se miseravelmente. Mas inchaço não é crescimento; é doença. Que o Deus de compaixão e misericórdia fortaleça os seus filhos fiéis, que, diante desse cenário, vagam frustrados de igreja em igreja. Alguns são condenados por seus pecados sem redenção, outros simplesmente ignorados como seres humanos. Mas o Cristo da mulher adúltera, o Cristo da samaritana, o Cristo dos rejeitados e incompreendidos ainda olha para Seus rebentos, abraça-os, ama-os e Se revela como o Verdadeiro Pastor.

                 Aquele que nunca abandona. Aquele que nunca se cansa de nós. Aquele que nunca aponta o dedo para condenar, mas estende as mãos balsâmicas para nos levantar. E como se não bastasse, ainda nos chama de Filhinhos Amados.


Capelão Nascente  🙏
International Voluntary Chaplancy Service - IVCS 
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Da Sarjeta ao Palácio: A Miséria que o Ouro Não Cura




Rembrandt (Leida, 15 de julho de 1606, Amsterdam; 4 de outubro de 1669). Pintor neerlandês. 
Óleo sobre Tela _ Mendigo.

                    Este texto revela a humanidade daqueles que vivem às margens da sociedade, lançando luz sobre a dura realidade desses pobres moribundos.

                 Quando a vida parece perder seu sentido e propósito. Quando o suspiro torna-se tão intenso a ponto de nos anestesiar pela dor. Quando o sono foge dos olhos diante de preocupações e tristezas avassaladoras. Quando o mundo, impiedoso, corre rumo às suas conquistas e nos deixa para trás, esquecidos, ignorados. Quando os amigos seguem suas vidas como se não existíssemos e os parentes desistem de nos abraçar, dando-nos por caso perdido. Quando nossa presença, mesmo silenciosa e humilde, passa a incomodar. Quando todos se vão e sobra apenas a solidão de uma existência vazia, então percebemos que há, espalhadas pelo mundo, milhares de outras almas suportando sofrimentos ainda mais profundos que os nossos.

                  Basta observar as calçadas de nossas cidades para enxergar rostos aflitos, jovens, idosos, famílias inteiras esquecidas, vivendo à sombra da sociedade. E, no entanto, dentro dessas almas solitárias, pulsa um coração guerreiro, que, mesmo maltratado, insiste em bater. Mas por quê? Por que continuar vivendo, quando a vida parece um ciclo interminável de dor e morte? Por que tantas lágrimas são as únicas companheiras fiéis, as únicas que deslizam pelas faces sujas e marcadas pelo abandono, aquecendo com sua umidade as noites solitárias, escuras e frias desses renegados? Seus poros transpiram dor. Ao redor deles, multidões passam, mas ninguém se aproxima.

                    Até os animais, movidos pelo instinto, vivem em comunidade, como se soubessem que a solidão não foi feita nem mesmo para as bestas do campo. Mas o homem, criado para se relacionar, ignora seus semelhantes. Os ratos alimentam-se dos restos do lixo, e ninguém se importa. Mas quando um desses pseudo-seres humanos, movido pela fome desesperadora, revirando os detritos em busca de um mísero pedaço de pão, causa nojo, repulsa. Ele existe, mas é invisível. É um erro ambulante, um equívoco social. Nasceu por acidente e vive acidentando-se. Um tropeço após o outro. Nunca aprendeu a acertar. Ninguém lhe ensinou.

                    Até que, um dia, decidido a dormir e nunca mais acordar, ele se vê diante de um homem. Um homem que segura suas mãos sujas, olha para ele com olhos marejados de compaixão. Um homem que o levanta, conduzindo-o para um lar. Ali, dá-lhe banho, faz-lhe a barba, retira-lhe os trapos imundos que vestiam seu corpo maltrapilho e cobre-o com roupas limpas e perfumadas. Em seus pés descalços, coloca sapatos confortáveis. No estômago vazio, oferece comida quente e saborosa, que há meses ele não saboreava. E, diante de um espelho, aquele homem, pela primeira vez em anos, enxerga algo que nunca vira: dignidade. Nesse instante, contempla o céu aberto e ouve uma voz ecoar em sua alma: "Este é o meu filho amado."

                   Naquele dia, aprendeu o significado do termo dignidade. E, por meio dela, compreendeu outra palavra não menos valiosa: solidariedade. Um simples ato mudou sua história. Pelo ralo do banheiro não escoou apenas a sujeira física, mas toda a opressão que o subjugava por anos. Deus, através daquele que estendeu a mão, abraçou-o e amou-o. E, por esse abraço, aquele homem, antes moribundo, encontrou motivo para viver, reavivado pelo fôlego divino.

                   O Cristo do Deus Vivo, o maior dos renegados, mostrou-lhe que vale a pena viver, mesmo quando tudo ao redor parece ruína e lamento.

                 Se você acha que não tem nada a oferecer, basta olhar pela janela do carro e verá muitos que possuem ainda menos do que você. Se sua vida parece sem sentido, olhe para aqueles que dormem sob marquises e perceberá que muitos nem sequer têm o que comer, mas, ainda assim, lutam diariamente para sobreviver. E por quê? Porque a vida é tudo o que lhes resta. E enquanto há vida, há esperança.

                Não adie para amanhã as decisões que precisam ser tomadas hoje. Não assassine sua vida matando seus sonhos e esperanças. Há mendigos nas ruas, mas há também mendigos morando em palácios e dirigindo carros de luxo. O mais miserável dos homens não é aquele que não tem dinheiro, casa ou emprego, mas aquele que, tendo tudo isso, pensa que nada lhe falta.

            Jesus não possuía riquezas materiais, mas foi coroado de majestade pelo Todo-Poderoso. Enquanto isso, aqueles que vivem no conforto de suas posses, se esquecem da única verdade que importa: "Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" (Lucas 12:20).

          A correria frenética deste mundo é vaidade. Tudo passa como a neblina ao amanhecer. O que realmente importa está além desta vida. É prudente construir casas para nós e nossos filhos, mas é ainda mais prudente garantir que nossa eternidade seja vivida ao lado d'Aquele que morreu por nós: Jesus Cristo.

 

Capelão Nascente  🙏
International Voluntary Chaplancy Service - IVCS   

CONTATO COM O AUTOR DO BLOG_


- nascente.marketing@gmail.com
- willasnascente@gmail.com


Willas Nascente

.

.


.

.

.


.

.

.

.

.

.


.

Pesquisar neste blog

Nossa Fé e Crença

"Creio em um só Deus, Pai Onipotente, criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos; Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus; gerado, não feito; consubstancial com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; que por nós e para nossa salvação desceu dos céus e encarnou, por obra do Espírito Santo, da virgem Maria (mulher virgem, digna e exemplo de conduta para todos nós, mas não adorada); e se fez homem. Foi também crucificado sob o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai; e virá outra vez com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor Doador da vida, procedente do Pai e do Filho; que, com o Pai e o Filho, é juntamente adorado e glorificado."

Credo Niceno, Império de Constantino,
Constantinopla, 381 d. C.

.

.






.