De acordo com o livro bíblico de Êxodo, Moisés conduziu os israelitas, outrora escravizados no Egito, atravessando o Mar Vermelho rumo ao Monte Horebe, na Península do Sinai. Ao chegar ao sopé do Monte Sinai, recebeu as duas "Tábuas da Lei" com os Dez Mandamentos de Deus, um marco solene na história sagrada.
Certa vez, durante uma reunião em uma igreja, um grupo de pessoas clamava a Deus por chuva, visto que havia muito tempo sem precipitações na região. Foi então que notaram uma menina trazendo um guarda-chuva no braço. Alguém lhe perguntou:
- Com uma seca destas, por que você está trazendo um guarda-chuva?
- Ora, nós não estamos aqui pedindo para que Deus envie chuva? O senhor não acredita que Ele nos ouvirá?
Esse singelo episódio revela algo que, para muitos, foge à lógica humana: a fé. Ela não se sustenta em evidências físicas, tampouco em parâmetros racionalistas; e, por isso, quem vive restrito ao mundo palpável não consegue enxergá-la com a devida profundidade. O que se observa é uma insistência em querer enquadrar a fé em moldes científicos ou em categorizações lógicas, na tentativa de decifrar seu cerne.
O que é, afinal, a fé? A ciência moderna já especulou ser ela fruto de reações químicas no cérebro. Acredita-se que combinações hormonais e neurológicas poderiam explicar as inclinações humanas em busca de sentido e apoio. Nesse prisma, a fé seria apenas um mecanismo de defesa criado pelo próprio organismo para prover conforto psíquico diante de angústias e incertezas. Todavia, essa hipótese ignora a dimensão transcendental do ser humano, aquele atributo inefável que nos convida a olhar para o infinito e a ouvir o sussurro divino.
Quando nos voltamos à perspectiva bíblica, descobrimos que "a fé é a certeza das coisas que se esperam e a convicão de fatos que não se veem" (Hebreus 11:1). Também lemos que "a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela Palavra de Deus" (Romanos 10:17). Aqui, o fenômeno deixa de ser mero produto de reações químicas e assume a feição de resposta à revelacão divina. Se a ciência explica a chuva por meio de leis físicas, não nos impede de crer que seja o Criador quem coordena tais leis. A realidade natural não anula a transcendência; ao contrário, pode ser uma expressão dela.
O homem foi criado um ser espiritual, ainda que, em sua incompreensão, transforme o ceticismo em crença. As Sagradas Escrituras foram semeadas entre as nações, e não retornarão vazias: elas realizam o propósito para o qual foram enviadas. Quando tais Palavras chegam à consciência humana, provocam uma metamorfose: para uns, conduzem à vida; para outros, revelam o juízo. O fato é que ninguém permanece incólume diante delas. Mesmo assim, há os que, nessa busca, se perdem em labirintos de dúvia, em crenças dissociadas do conteúdo bíblico, e não encontram paz para sua alma.
A religião por si não salva ninguém; a Palavra de Deus, sim. A fé brota do contato genuíno com essas Escrituras, não da adesão a um sistema religioso. Se ouvirmos, guardarmos e praticarmos a Palavra, discerniremos o que é contrário ao ensinamento divino, a ponto de, se até mesmo um anjo surgisse pregando algo oposto, o rechaçaríamos.
As páginas da Bíblia Sagrada, em si, não possuem poder mágico, mas suas Palavras contêm a força para gerar fé viva e transformadora. É essa fé que nos impele a buscar um Deus amoroso e justo, que se revela de modo singular por meio de Cristo. E nesse caminhar, passamos a enxergar os mistérios outrora ininteligíveis e a encontrar força nos piores momentos.
Assim, a fé é a confiança que mantém nossos passos firmes, mesmo entre tempestades. Ela se estabelece ao ouvirmos a Palavra de Deus e se solidifica na prática da mesma. Por fim, só seremos transformados quando entendermos, pela fé, que Jesus é o Filho de Deus, o próprio Deus encarnado, que se entregou na cruz para nos resgatar de nossos pecados.
Fé, para os que creem, é a lógica maior. Para os céticos, é loucura. Para a ciência, um mistério não decifrado. E você, de qual lado estará?
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