Bandido bom é bandido rendido aos pés de Jesus
Uma das tônicas mais famosas do último governo foi a infame frase: "Bandido bom é bandido morto!"
Sem entrar no mérito político, quero apenas esboçar a terrível contradição de tal afirmativa, refletindo sob a ótica cristã e falando para aqueles que se consideram discípulos de Cristo. Pois, se formos coerentes com nossa fé, haveremos de lembrar que o próprio Cristo foi tratado e morto como um criminoso, tanto pelos romanos quanto pelos líderes do templo, das sinagogas e do Sinédrio. Todos O condenaram como um criminoso e à pena de morte, a crucificação.
Nosso Senhor não morreu por inocentes, pois inocentes, por si só, são absolvidos de toda culpa. E, segundo a Bíblia Sagrada—Nossa Única Regra de Fé e Prática—ninguém diante de Deus pode reivindicar tal inocência:
"Ninguém na presença de Deus é inocente!" (Salmos 143:2)
Somos salvos única e exclusivamente pela graça:
"Essa salvação não vem do homem nem de suas obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8-9)
E ainda:
"Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu—afirma o apóstolo Paulo—sou o pior." (1 Timóteo 1:15)
Poderia citar dezenas e mais dezenas de versículos para fundamentar essa tese, mas creio não ser necessário. A verdade é clara e irrefutável: Contra a Bíblia Sagrada não há argumentos!
Diante disso, a voz que ecoa pelos vales sombrios de alguns corações, tantas vezes gélidos pelo vento frio da indiferença, grita em alto e mórbido som: "Morte aos bandidos, porque não sou como eles! Bandido bom é bandido morto!"
A cada trincheira, o número desses soldados cresce, formando um batalhão de cristãos sem misericórdia, que esquecem que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Romanos 3:23).
Dentre aqueles que se dizem seguidores de Cristo, ergue-se um exército de perfeitos, anulando assim os ensinamentos bíblicos que afirmam que todos somos pecadores e merecedores da morte eterna. E, se temos algum mérito, é porque Deus nos amou primeiro com um amor incompreensível e nos perdoou.
"Todos nós somos como um imundo para Deus, e até nossas justiças são como trapos de imundícia para Ele." (Isaías 64:6)
O mais triste é que a história se repete, e muitos ainda não aprendem:
"Erram por não conhecerem as Escrituras." (Mateus 22:29)
Os líderes religiosos da época de Cristo O mataram porque se achavam mais santos que o Santo Filho Unigênito de Deus! Tornaram-se como o fariseu da parábola de Jesus, que entrando no templo, orou de pé, dizendo:
"Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens—pecadores, ladrões, injustos, adúlteros. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo! Obrigado porque não sou como este publicano!"
Enquanto isso, o publicano, de pé, ao longe, sequer ousava levantar seus olhos aos céus, mas batia em seu peito, clamando:
"Deus, tem misericórdia de mim, o pecador!" (Lucas 18:9-14)
E segundo o veredito de Cristo, foi o publicano quem voltou para casa justificado!
Não podemos impedir que o amor esfrie nos corações de muitos, mas temos a obrigação de não permitir que ele esfrie em nós. Pois somos responsáveis por nossos próprios atos diante de Deus e dos homens:
"Revistamo-nos do amor, que é o elo perfeito!" (Colossenses 3:14)
Pois:
"Quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é Amor." (1 João 4:8)
E ainda:
"Só conseguem amar aqueles que primeiro receberam o amor de Deus! Como se pode dizer que amamos a Deus e odiamos nosso irmão?" (1 João 4:19-20)
O amor verdadeiro não se vangloria, nem se orgulha (1 Coríntios 13:4-7).
Portanto, bandido bom é bandido rendido aos pés de Jesus!
Bandido bom é bandido regenerado, transformado num missionário de paz e boas novas! Se essa verdade fosse rejeitada, não teríamos a maior parte do Novo Testamento, pois Saulo, o perseguidor e assassino de cristãos, teve um encontro com Cristo e se tornou Paulo, o maior missionário, teólogo, plantador de igrejas, intercessor, professor e mestre de todos os tempos!
Repensemos nosso cristianismo à luz de Cristo. O que estiver fora dos padrões ensinados por Ele, lancemos fora, pois não procede d'Ele.
Aprendamos a orar como o publicano:
"Deus, tem misericórdia de mim, o pecador!" (Lucas 18:13b)
E que voltemos para casa justificados, não apenas aparentando santidade diante dos homens. Pois Deus não vê como o homem vê. Deus não olha para as aparências dos homens. (1 Samuel 16:7).
Capelão Nascente 🙏
International Voluntary Chaplancy Service - IVCS
Setembro 22, 2022

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