Recebi um e-mail de um irmão que elogiou este blog e perguntou qual minha denominação e crença, pois ficou confuso diante de minhas palavras quando me refiro à Igreja de Jesus Cristo. Em alguns momentos, achou que fui duro demais. Por isso, decidi postar este tópico para esclarecer que não sou contra a Igreja Evangélica; pelo contrário, sou seu membro e defensor dos princípios estabelecidos pela Bíblia. Mas amar a Igreja significa também corrigir seus desvios.
Minha fé está enraizada na Palavra de Deus. Sou protestante, reformado, mas antes de tudo sou cristão. A Reforma nos trouxe as solas, mas é Cristo quem nos traz a vida. Não podemos permitir que dogmas, sistemas e tradições tomem o lugar do Evangelho puro e simples, aquele que foi pregado pelos apóstolos e deve ser proclamado sem distorções e interesses humanos.
Sou liberto das algemas das aparências e do farisaísmo e vivo conforme a liberdade e a simplicidade do Evangelho de Cristo. Não me dobro a jugos impostos por homens que sobrecarregam o povo enquanto vivem confortavelmente de suas exigências religiosas. Como disse Jesus: “Condutores cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo” (Mateus 23:24).
A comercialização da fé se tornou um dos maiores escândalos da Igreja contemporânea. O louvor, que deveria ser uma expressão sincera de adoração, tornou-se um negócio lucrativo. Cantores que receberam suas músicas de graça cobram quantias exorbitantes para cantar em igrejas. Muitos, que antes eram servos, agora exigem holofotes e contratos milionários. O ministério do louvor foi substituído pela indústria gospel, onde o propósito já não é servir, mas ser reconhecido.
Mas não são apenas os cantores. Pastores há que já não são alimentados pelo Espírito Santo, mas pelo dinheiro que jorra de seus púlpitos. Pregam contra a avareza, mas vivem em palácios. Denunciam o mundanismo, mas não abrem mão de suas regalias. Não é mais o Espírito quem os inspira, mas a conta bancária. Suas palavras, muitas vezes bem elaboradas e convincentes, são apenas discursos vazios, ajustados conforme a necessidade de manter seus impérios religiosos. Pregam para os outros, mas a maior parte de suas mensagens deveria ser endereçada a eles mesmos.
A Igreja precisa despertar desse sono de conformismo. A Marcha para Jesus se tornou um carnaval evangélico, enquanto a batalha verdadeira é ignorada. Os cultos estão repletos de palavras bonitas, discursos politizados e frases de efeito, mas vazios da verdade que liberta. A Palavra de Deus não precisa de adornos ou estratégias de marketing. Ela é, por si só, a espada que corta e a luz que ilumina.
A salvação é de graça, mas, em muitas igrejas, o preço para pertencer a elas é alto. Na Idade Média, Roma vendia indulgências; hoje, pastores vendem bênçãos e fazem do dízimo um bilhete de prosperidade. As Escrituras são manipuladas para justificar o luxo de líderes que vivem na ostentação, enquanto suas ovelhas lutam para sobreviver.
Mas Deus tem Seus remanescentes. Aqueles que ainda não se curvaram ao sistema corrupto, que permanecem fiéis à Sola Scriptura e que não negociam a verdade. Como Cristo purificou o templo, expelindo os mercadores da fé, também é tempo de que Sua Igreja se levante e volte à simplicidade do Evangelho.
Que nossa identidade reformada nunca tome o lugar da nossa identidade cristã. Que o zelo pela doutrina nunca nos torne mais parecidos com Calvino do que com Cristo. Que nosso compromisso seja, acima de tudo, com o Senhor e com Sua Palavra. A Reforma foi necessária, mas ela não é nosso fim; Cristo é.
Amém.
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